Moradia assistida: cuidar bem, abandonar jamais

Normalmente, sempre que se pensa em relocar uma pessoa do seu lar para qualquer tipo de instituição, a primeira ideia que se vem à mente são asilos, orfanatos e hospícios. Todos lugares que causam verdadeiro arrepio de terror ao imaginário popular. Imaginamos logo funcionários mal humorados, comida mal feita, higiene precária e abandono geral. Assim, quando se tem alguém dentro do nosso lar de quem não conseguimos cuidar tão bem quanto gostaríamos, preferimos redobrar os esforços e manter esse familiar por perto. Mesmo que isso signifique não desenvolver todo o potencial desse indivíduo, por causa da falta de tempo e energia do cotidiano.

 Houve, sim, um período na história das instituições asilares, em que elas foram marcadas por tudo isso que povoa nossa imaginação: superlotação, condições hostis e abandono. Houve até mesmo o tempo em que tais lugares eram realmente destinados para pessoas “esquecidas” pela sociedade; para aqueles que mais constrangiam e oneravam famílias que podiam recorrer a esses serviços.
Felizmente, nas décadas mais recentes, esse tipo de situação tem sido constantemente denunciado. Os antigos asilos vem perdendo o seu lugar para estabelecimentos comprometidos com o bem estar de seus assistidos. É nessa história de evolução do cuidado com pessoas com deficiência que entra a moradia assistida. Um conceito ainda novo para muitas pessoas.

Moradia assistida: o que é? 

 O atendimento na modalidade de moradia assistida acontece quando o indivíduo passa a residir no local onde recebe assistência. Ao contrário de asilos, existem alguns critérios que precisam ser rigidamente seguidos para que o atendimento seja considerado de moradia assistida.
Primeiramente, como acontece aqui na Associação São Francisco, o ambiente é todo preparado para que ele se torne um verdadeiro lar. Um número limitado de assistidos reside na mesma casa, evitando-se, assim, a superlotação. Cada um dos internos tem seu espaço. Nesse contexto de socialização saudável, eles aprendem a cuidar de si mesmos, de seus pertences e dos espaços coletivos. O objetivo é sempre alcançar a maior autonomia possível.
A reeducação, o convívio e todas as atividades são propostas e mediadas por profissionais capacitados. Conta-se com a assistência de terapeutas ocupacionais, recreacionistas, psicólogos e nutricionistas, por exemplo. Entretanto, como estamos falando de um lar, tudo aquilo que for de realidade clínica, como consultas médicas e tratamentos; acontecem na comunidade, fora da casa. Essa abordagem ajuda a cultivar um ambiente aconchegante e caseiro para nosso assistidos.

Por que ela seria a solução para minha família?

 Todos que conhecem a realidade de educar e cuidar de uma pessoa com deficiência intelectual, sabem que nem sempre é simples proporcionar o que há de melhor para o desenvolvimento desse indivíduo. O nível de autonomia dessa pessoa, que tem capacidades e limitações únicas, varia muito.
Por exemplo, existem casos em que a família cuida com tanto zelo que a pessoa deixa de aprender habilidades importantes, como o simples ato de se servir uma refeição, se vestir ou cuidar da própria higiene pessoal. Algumas dessas habilidades poderiam ter sido desenvolvidas se fossem trabalhadas de forma adequada. Ou ainda, pode-se deixar de trabalhar tão bem a comunicação do indivíduo por se subestimar sua capacidade de compreensão.
Com o passar dos anos e o avanço da idade dos pais da pessoa deficiente, as dificuldades podem se tornar ainda maiores. Aí vem a falta de estímulos adequados. O esforço para se acompanhar de perto cada detalhe da vida dessa pessoa pode ficar cada vez mais árduo.
Em momentos como esse, como não considerar a possibilidade de se recorrer à moradia assistida? A Associação São Francisco promove justamente as oportunidades de desenvolvimento que a pessoa com deficiência não conseguiria encontrar em seu próprio lar. Somos uma instituição que busca a humanização em todo atendimento que realizamos: contato com olhos nos olhos, respeito e carinho. Há mais de 14 anos somos um lar onde nossos meninos e meninas podem se desenvolver de maneira integral, com estímulos adequados, instalações confortáveis e alimentação nutritiva. Mais importante ainda: somos um espaço aberto às famílias que nos procuram.
Se você sente que já não consegue oferecer o melhor que seu familiar necessita, venha nos conhecer. Ficaremos felizes em lhe apresentar nosso trabalho e ajudar. Somos uma instituição privada, localizada em Taubaté. Para entrar em contato, basta ir para nossa seção de contatos no site e mandar uma mensagem, ou nos ligar. Aguardamos o seu contato!

O deficiente intelectual e o Direito à Família

Em 2015, o Estatuto da Pessoa com Deficiência empolgou muita gente (nós, inclusive). Os avanços foram muito significativos e a lei procurou ser o mais abrangente possível, para que todos os aspectos da vida do deficiente pudessem ser protegidos com o carinho e respeito que merecem. No meio de assuntos como saúde, educação e acessibilidade, outro direito fundamental para uma vida digna foi garantido pelo estatuto: o direito à família.

Antes do estatuto, o fato de um dos cônjuges ser deficiente intelectual, era motivo de anulação do casamento. Isso porque acreditava-se que a pessoa com deficiência intelectual, ainda que leve, não possuía qualquer discernimento para fazer a escolha de viver uma vida a dois.

Após a aprovação do estatuto, a lei brasileira passou a não mais entender a situação desta forma.

Até 2015, era necessário percorrer um longo e tortuoso caminho burocrático para que um deficiente intelectual se casasse perante a lei. Agora basta que, como qualquer casal,  os noivos apresentem seus documentos, levem as testemunhas e passem pelo procedimento rotineiro de casamento civil.

E, mais importante: como toda família, aquela constituída pelo deficiente também tem toda a proteção do Estado e goza dos direitos comuns a todos. Inclusive o direito à reprodução, o direito à adoção e o direito à liberdade de decidir o número de filhos que o casal terá. É absolutamente vedada qualquer tipo de esterilização compulsória.

O verdadeiro impacto da mudança na lei

Segundo o IBGE, cerca de 0,8% dos brasileiros portam algum tipo de deficiência intelectual. Se levarmos em conta os dados do último censo, são 1,6 milhões de pessoas. Todas essas pessoas estavam fadadas a uma vida sem qualquer direito ao casamento, não importando a gravidade da sua deficiência. Pessoas com autonomia o suficiente para cursar o nível superior, trabalhar e pagar impostos estavam impedidas de se casar por causa dos antigos entraves da lei brasileira. Até mesmo a mais leve deficiência intelectual poderia ser interpretada como falta de capacidade para se contrair matrimônio.

Indo para além dos números, a principal melhoria provavelmente está na qualidade de vida das pessoas com deficiência que fizeram a escolha de passar sua vida ao lado de um(a) parceiro(a). Muitos poderão levar adiante seu sonho de se casar, enquanto muitos outros ainda poderão oficializar uma união que antes não reconhecida pela lei. Histórias assim já estão surgindo país adentro, como foi o caso da Dona Rosana, que tem paralisia cerebral e pôde finalmente oficializar seu casamento de mais de 20 anos de união. Na ocasião do casamento, que foi o primeiro do tipo realizado no Brasil, ela e o marido já tinham um filho de 17 anos. O rapaz ainda diz que se orgulha por ter uma mãe que soube cuidar tão bem dele.

Felizmente, agora os deficientes intelectuais já estão amparados em mais este aspecto fundamental de suas vidas. Eles e toda a sociedade só têm a lucrar com leis que garantem o tratamento igualitário para todos.

 

Banda “Entre Amigos” nos encantando com boa música

No dia 05 de Agosto de 2017, nós tivemos o grande privilégio de receber a visita da banda “Entre amigos”. Fomos agraciados com um verdadeiro show de boa música, simpatia e carinho. Agradecemos aos nossos amigos e deixamos nossas portas abertas para venham sempre que desejarem! Nossos meninos e meninas se divertiram muito com vocês.