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Como se referir a uma pessoa com deficiência

Não é frescura, nem implicância. O uso correto da língua quando se vai dirigir, ou se referir a qualquer ser humano é fundamental, não importando suas características individuais. Atravessamos um longo período de preconceitos e de séculos na ignorância, mas como sociedade ainda temos muito o que aprender sobre como tratar dignamente todas as pessoas, especialmente aquelas com deficiência.

Até por volta da década de 90 era muito comum que a população se referisse aos deficientes de maneira muito depreciativa. Termos como “ceguinho”, “mudinho”, “retardado”, “mongoloide” e algumas frases de lugar comum eram frequentemente usados sem qualquer constrangimento. Embora muita coisa tenha mudado nessa campo, ainda precisamos apontar alguns pontos básicos no quesito da comunicação.

Considerações essenciais

Antes de tudo, é fundamental se lembrar de um direito básico da personalidade de cada um de nós: sermos chamados pelo nosso próprio nome. É respeitoso e dignificante que a pessoa seja reconhecida por quem ela é. Somos João, Maria, Guilherme, Antônia. Ninguém é simplesmente um amontoado de traços, características ou limitações. Por isso, lembre-se sempre de aprender e memorizar o nome de todos com quem você vier a ter contato, não importando se ela é deficiente ou não.

Outro ponto importante e delicado é a questão de como se referir à deficiência. Existem os dois extremos neste problema: um extremo é o de usar termos pejorativos, que diminuam a pessoa enquanto ser humano. Esses termos nós conhecemos muito bem: retardado, mongoloide, defeituoso, incapacitado, inválido.

O outro extremo do mau uso da língua para se referir a deficientes, é quando recorremos tanto ao politicamente correto, que acabamos apagando a deficiência. E qual é o problema em se apagar a deficiência? Quando colocamos uma maquiagem sobre necessidades muito específicas de qualquer pessoa, corremos o risco de não atendê-las. Desse jeito, coloca-se em risco qualquer tipo de elaboração de políticas públicas para pessoas com deficiência. Afinal, “se essas pessoas são exatamente como nós, por quê a diferença de tratamento?” Por isso, eufemismos como “especial”, ou “excepcional” são desnecessários.

Referindo-se às pessoas e suas deficiências. Um pequeno manual.

É claro, todo mundo comete um deslize aqui e acolá. Não precisa ser paranoico quanto ao uso da língua em referência a pessoas com deficiência, mas se você acertar a mão na comunicação, certamente vai conquistar mais respeito e amizade tanto por parte de pessoa com deficiência quanto por suas famílias e cuidadores. Como referência, colocamos um breve manual daquilo que deve ser evitado e qual o correspondente mais adequado a ser utilizado. Esperamos que ajude.

1- Pessoa normal: certo, aqui vai um apelo. Por favor, evite o termo “normal”. Afinal, o que é normal? Se você está se referindo a pessoas que não possuam deficiência, prefira usar o termo “pessoa sem deficiência” ou “não-deficiente”.

2- Aleijado, inválido, incapacitado, deficiente: até recentemente, não existia muita preocupação em como se referir a pessoas deficientes. Era comum se referir a elas usando esses termos, mas com a evolução da linguagem, passamos a utilizar “pessoa deficiente”. O acréscimo da palavra pessoa faz lembrar justamente do fato elementar de que “todo deficiente é uma pessoa”. Por isso, preferia usar pessoa deficiente, ou pessoa com deficiência.

3- Portador de deficiência: uma pessoa pode ser portadora de habilitação para dirigir, mas perdê-la porque infringiu as leis de trânsito. Pode-se portar uma bela pasta de trabalho, mas esquecê-la no escritório. Porta-se muitas coisas, mas não uma deficiência porque não é possível deixá-la para trás. Por isso, preferimos “pessoa com deficiência.

4- Ceguinho, mudinho, surdinho e afins: são termos com conotação pejorativa. Diminuem a pessoa. Prefira o correto, chamando e se referindo a pessoa pelo nome dela. Se é necessário mencionar a deficiência, faça com respeito. “Leandro é cego”, “Marcos é surdo, ou deficiente auditivo”. A pessoa com deficiência é uma pessoa completa, lembre-se disso.

5- “Ele é deficiente, MAS é um ótimo…(coloque qualquer coisa em que a pessoa é boa)”: evite qualquer tipo de ideia que generaliza e estigmatiza a pessoa com deficiência. Não diga “ele é uma pessoa com deficiência intelectual, mas é um aluno muito dedicado.” Quando se fala algo assim, dá-se a entender que a pessoa com deficiência é automaticamente incapaz disso ou daquilo. Prefira frases como “Ele é surdo E se comunica muito bem.” Ou ainda “Ela é uma aluna com síndrome de Down E uma ótima corredora”.

6- “Esta família carrega a cruz de cuidar de um filho deficiente”: pelo amor de Deus, não. As frustrações e alegrias de se criar um filho são comuns a todas as famílias. Não precisamos nem explicar muito esta aqui, não é?

7- Deficiente mental: quando se referir a uma pessoa com deficiência intelectual, prefira justamente “pessoa com deficiência intelectual”. Se estiver se referindo a pessoa com transtorno mental, prefira “pessoa com transtorno mental”.

Este é um resumo muito sucinto sobre o tema e esperamos que sirva de referência básica para que algumas gafes sejam evitadas no futuro. Um grande abraço da equipe da Associação São Francisco! Não se esqueça de nos ligar e marcar sua visita!

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